Jogos de mãos: herança cultural passada de geração em geração

Jogos de mãos: herança cultural passada de geração em geração

"Adoleta", "Fui à China", "Aonde vai Fifi", "Babalu", "Parara Parati"… esses nomes te lembram alguma coisa? Eu, você, nossos pais e talvez até nossos avós cresceram brincando destes e de muitos outros jogos de mãos. Marcados pelo ritmo que convida o corpo todo a se movimentar e por rimas cantadas em constante estado de ressignificação, as brincadeiras de mãos seguem atuais e relevantes nos recreios escolares, nos bairros e lares, ganhando novas formas em cada região e contexto cultural do nosso país tão vasto.

Assim como nas brincadeiras de roda e passatempos folclóricos, não é necessário muita coisa para iniciar: letra na ponta da língua e bons amigos garantem a diversão, a sociabilidade e promovem momentos de conexão neste jogo democrático. Os movimentos e as músicas são criadas pelas próprias crianças, adaptando ritmos (muitas vezes de músicas conhecidas de outros contextos: o que toca na rádio, por exemplo) e incluindo seus desejos, interesses e as observações do mundo dos adultos e suas expectativas sociais, como é na brincadeira "Com quem será?", por exemplo.

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"Com quem, com quem será,
Que a Fulana, vai se casar,
Loiro, moreno, careca, cabeludo, desdentado, barrigudo,
Rei, ladrão, polícia, capitão?"

De grupo em grupo, de escola em escola, de geração em geração, as crianças aprendem e ensinam os jogos de mãos entre si, por meio da observação e da imitação. Neste processo oral de transmissão de conhecimento, as brincadeiras vão se moldando, e é por isso que não seria estranho se você conhecesse uma versão diferente do jogo acima. "Fui à China" é também um grande clássico colecionador de versões. Conheça essa:


No livro "Juegos de Manos - 75 rimas y canciones tradicionales com manos y otros gestos", a autora argentina Violeta Gainza, pedagoga de piano, observa que os jogos de mãos são constituidos de "gestos, mímicas realistas ou cômicas, onomatopeias, desafios de coordenação motora e um nível sofisticado de melodia e ritmo", sendo, portanto, além de  um ótimo instrumento de desenvolvimento de coordenação motora, expressão corporal, ritmo e concentração, uma ferramenta de estímulo criativo, por meio da musicalização.

Aos adultos, pais e professores, fica a missão de ter o olhar sensível para perceber os processos criativos inseridos nesta construção colaborativa do universo infantil. No vídeo abaixo os pesquisadores Nélio Spréa e Fernanda Souza dialogam sobre os potenciais pedagógicos dos jogos de mãos
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"Mão no pé, mão na mão, mão na testa, mão no chão" é um livro fundamental para quem deseja aprofundar o olhar na riqueza de detalhes do mundo das crianças e seus processos colaborativos de aprendizagem musical. A autora Fernanda Souza explora o universo de jogos de mãos a partir da observação do recreio de crianças paranaenses em diversas escolas de Curitiba e região metropolitana, bem como do litoral, em Morretes, Matinhos, Guaratuba, Paranaguá, na Ilha dos Valadares e Ilha do Mel. Dentre tantos aspectos, Fernanda afirma que as crianças têm consciência do processo de ensino aprendizagem estabelecido e que demonstram muito interesse e alegria ao ensinar os colegas.

Você pôde perceber que o universo dos jogos de mãos possui uma riqueza singular para a cultura infantil, não é mesmo? Múltiplos repertórios enriquecem a brincadeira e criam ambientes onde as crianças se percebem pertencentes a um grupo e são estimulados a criar. Agora é o momento de enriquecer o seu repertório! Conheça muitos outros jogos de mãos no Canal Parabolé.

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